iGaming Fox iGamingFox

Blask: proibição de apostas no Brasil reduziu tráfego de operadores licenciados em 74% na primeira semana

Segundo a Blask, o público das apostas licenciadas no Brasil despencou poucos dias após a proibição. Sua análise das restrições de 2025 na Índia sugere que boa parte da demanda deslocada pode acabar migrando para operadores offshore.

A proibição de apostas no Brasil reduziu o tráfego dos operadores licenciados em 74% na primeira semana, mas ainda não provocou um aumento comparável no uso de plataformas offshore, segundo um novo relatório da empresa de análise de iGaming Blask.

O estudo compara a proibição brasileira de setembro de 2026 com as restrições a jogos com dinheiro real introduzidas na Índia em agosto de 2025, utilizando painéis comportamentais, dados de buscas e estatísticas públicas de mercado.

A Blask estima que o Brasil encerrou um mercado regulado de apostas e cassinos online com receita bruta de jogos (GGR) anual de US$ 6,6 bilhões apenas 21 meses após seu lançamento.

Seu argumento central é que o encerramento da oferta regulada não elimina necessariamente a demanda por jogos de azar. No entanto, os dados brasileiros abrangem, por enquanto, apenas os primeiros dias da proibição, enquanto a conclusão de longo prazo se baseia principalmente no que ocorreu na Índia.

Tráfego de operadores licenciados caiu 74% em seis dias

Em 1º de outubro, seis dias após o Brasil introduzir a Medida Provisória nº 1.394, a proporção de participantes do painel brasileiro da Blask que acessavam sites de apostas licenciados estava 74% abaixo do nível habitual.

A demanda de buscas por marcas licenciadas caiu posteriormente cerca de 82% em relação ao patamar de referência anterior à proibição.

Os operadores offshore apresentaram uma evolução diferente.

A demanda de buscas por suas marcas recuou entre 7% e 17%, enquanto o alcance efetivo dos sites sem licença se manteve dentro de uma margem de 11% em relação aos níveis habituais ao longo de toda a primeira semana.

Essa distinção é importante. A Blask ainda não registrou uma migração em massa de jogadores brasileiros para sites offshore. Seus dados comportamentais indicam que muitos clientes do mercado regulado inicialmente deixaram de apostar, em vez de mudar imediatamente de plataforma.

A empresa ressalta, porém, que 57% dos apostadores brasileiros de seu painel já haviam visitado pelo menos um site de jogos de azar sem licença nos 90 dias anteriores à proibição.

Índia mostra que 63% dos antigos jogadores continuaram apostando

A Blask usa a Índia como principal referência do que pode acontecer em um período mais longo.

Os pesquisadores acompanharam os mesmos usuários antes e depois da proibição de jogos com dinheiro real na Índia, em agosto de 2025. A coorte fixa incluía 19.924 pessoas na Índia, enquanto 31.785 usuários brasileiros serviram como grupo de controle.

Três meses após as restrições indianas, 63 de cada 100 pessoas que antes utilizavam serviços legais continuavam participando de jogos de azar. Desses 100 antigos usuários, 61 haviam migrado para plataformas offshore.

Em comparação, 74 de cada 100 usuários brasileiros equivalentes continuavam apostando durante um período em que não havia proibição no Brasil.

A Blask calcula, portanto, que a participação em apostas na Índia permaneceu em cerca de 86% do nível observado no grupo de controle brasileiro.

Aplicar essa proporção aos estimados 25,2 milhões de apostadores do mercado regulado brasileiro resulta em uma projeção de aproximadamente 21,6 milhões de pessoas que continuariam apostando após o fechamento do mercado, principalmente por meio de serviços offshore.

A empresa enfatiza que os 21,6 milhões são uma projeção baseada na experiência indiana, e não uma medição da atividade offshore atual no Brasil.

Captação offshore na Índia se afastou dos mecanismos de busca

A Índia também fornece evidências sobre como os operadores sem licença adaptaram suas estratégias de captação após a proibição.

Na comparação entre os períodos anterior e posterior às restrições, a parcela do tráfego offshore proveniente de mecanismos de busca caiu de 16% para 8%.

Ao mesmo tempo, a parcela do tráfego atribuída a redes de publicidade pop-under, rastreadores de redirecionamento e sites de streaming pirata aumentou de 21% para 41%.

A Blask argumenta que essa mudança é relevante para a fiscalização, pois esses canais de captação geralmente são mais difíceis de monitorar do que os resultados de busca convencionais.

A Índia bloqueou 8.376 URLs durante o período analisado, mas o alcance offshore entre usuários que já haviam utilizado sites sem licença permaneceu aproximadamente no mesmo nível do grupo de controle brasileiro.

Brasil enfrenta perdas fiscais e impactos no emprego

O relatório também examina as consequências econômicas do desmantelamento do mercado regulado.

O Brasil arrecadou aproximadamente US$ 1,8 bilhão em tributos federais sobre apostas em 2025.

A Blask cita estimativas do governo segundo as quais o fechamento poderia resultar em cerca de US$ 2,4 bilhões em perdas adicionais de receitas públicas até 2028.

O setor regulado também sustentava aproximadamente 15.500 empregos diretos e indiretos, incluindo funções em tecnologia, cibersegurança, compliance, serviços jurídicos e marketing digital.

Não se espera necessariamente que todas essas vagas desapareçam, mas os operadores já começaram a reduzir suas equipes no Brasil desde o anúncio da proibição.

Primeira semana no Brasil ainda não comprova migração offshore

A comparação com a Índia sustenta a possibilidade de que a demanda por jogos de azar sobreviva a uma proibição e migre para a oferta sem licença, mas o Brasil ainda não concluiu essa transição.

Os próprios dados da Blask sobre a primeira semana mostram o colapso do tráfego dos operadores licenciados, enquanto o alcance offshore permanece amplamente estável.

Por isso, o relatório separa o que já aconteceu do que espera que aconteça a seguir.

O Brasil oferece evidências claras de que um governo pode fechar rapidamente o canal regulado. Será necessário um período de observação mais longo para determinar se a maioria dos antigos jogadores acaba migrando para operadores offshore, deixa de jogar ou retorna a um mercado regulado caso a proibição seja revertida.

Comentários (0)

Ainda sem comentários. Seja o primeiro!

Mais notícias